Situação das crianças e dos adolescentes no Brasil
Mesmo com o envelhecimento da população, crianças e adolescentes ainda representam um percentual grande dos brasileiros. São 57,6 milhões de meninos e meninas que precisam ter seus direitos garantidos.
O Brasil
possui uma população de 206,1 milhões de pessoas, dos quais 57,6 milhões têm
menos de 18 anos de idade (Estimativa IBGE para 2016). Mais da metade de todas
as crianças e adolescentes brasileiros são afrodescendentes e um terço dos
cerca de 820 mil indígenas do País é criança. São dezenas de milhões de pessoas
que possuem direitos e deveres e necessitam de condições para desenvolver com
plenitude todo o seu potencial.
Embora o País tenha feito grandes progressos em relação à sua
população mais jovem, esses avanços não atingiram todas as crianças e todos os
adolescentes brasileiros da mesma forma.
O Brasil é ainda um dos países mais desiguais do mundo. Por
exemplo, entre 1996 e 2006, a desnutrição crônica (medida pela baixa estatura
da criança para a idade) caiu 50% no Brasil, passando de 13,4% para 6,7% das
crianças menores de 5 anos. Esses bons resultados, no entanto, não alcançam
toda a população. Cerca de 30% das crianças indígenas são afetadas por
desnutrição crônica no País. Entre os ianomâmis, o percentual supera 80%. Meninas
e meninos indígenas também têm mais de duas vezes mais risco de morrer antes de
completar 1 ano do que as outras crianças brasileiras.
Entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade infantil caiu de
47,1 para 13,3 mortes para cada 1.000 nascidos vivos, de acordo com o
Ministério da Saúde. Os avanços fizeram com que o País superasse a
meta de
redução da mortalidade infantil prevista nos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio (ODM) antes mesmo do prazo estabelecido. Contudo, desde 2015, em meio à
crise econômica, o País entrou em um estado de alerta. Em 2016, pela primeira
vez em 26 anos, as taxas de mortalidade infantil e na infância cresceram. De
2015 a 2016, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil cresceu 5,3%
(MS/SVS/CGIAE – SIM/Sinasc e Busca Ativa). E, desde 2015, as coberturas
vacinais – que vinham se mantendo em patamares de excelência – entraram em uma
tendência de queda. De 2015 a 2017, a cobertura vacinal da poliomielite caiu de
95% para 78,5%, e a da tríplice viral, de 96% para 85% (PNI).
De 1990 a 2015, o percentual de crianças com idade escolar
obrigatória fora da escola caiu de 19,6% para 6,5% (Pnad). No entanto, mesmo
com tantos avanços, em 2015 , 2,8 milhões de meninos e meninas ainda estavam
fora da escola (Pnad, 2015). E essa exclusão escolar tem rosto e endereço: quem
está fora da escola são os pobres, negros, indígenas e quilombolas. Uma parcela
tem algum tipo de deficiência. E grande parte vive nas periferias dos grandes
centros urbanos, no Semiárido, na Amazônia e na zona rural. Muitos deixam a
escola para trabalhar e contribuir com a renda familiar.
O Brasil avançou no controle da transmissão do HIV de mães
para bebês. A chamada transmissão vertical do vírus da aids caiu pela metade
entre 1995 e 2015. No entanto, de 2004 a 2015, o número de novos casos entre
meninos e meninas de 15 a 19 anos aumentou 53% (Datasus).
Para o UNICEF, a face mais trágica das violações de direitos
que afetam meninos e meninas no Brasil são os homicídios de adolescentes: a
cada dia, 31 crianças e adolescentes são assassinados no País [estimativa do
UNICEF baseada em dados do Datasus (2016)] — quase todos meninos, negros,
moradores de favelas.
O Brasil é o país com o maior número absoluto de
adolescentes assassinados no mundo. Em 2015, foram 11.403 meninos e meninas de
10 a 19 anos vítimas de homicídios. Desses, 10.480 eram meninos — número maior
do que o total de mortes violentas de meninos em países afetados por conflitos,
como Síria e Iraque.
O Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo no
que diz respeito à proteção da infância e da adolescência. No entanto, é
necessário adotar políticas públicas capazes de combater e superar as
desigualdades geográficas, sociais e étnicas do País e celebrar a riqueza de
sua diversidade.

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